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Ler, Refletir e Pensar – 75 anos da morte de Fernando Pessoa

Há alguns temas que simplesmente suplantam qualquer planejamento e cronograma, quer por sua urgência, quer pela sua relevância. Esse é o caso da modesta lembrança e homenagem que levo a cabo hoje.

Pessoa é um dos maiores poetas da língua portuguesa (e de outras línguas também) e é um dos meus favoritos seus escritos são estudados e aproveitados e sua vida e obra justamente celebrada e mais ainda lembrada, conferindo imortalidade a sua obra.

O homem é mortal e passageiro, mas sua obra transcende e permanece. Afinal, os 75 anos de sua morte que foram completados dia 30 de novembro dão testemunho a permanência e relevância de sua obra. Não tenho os conhecimentos profundos que seriam necessários para tecer aqui uma analise de sua obra e de sua poética que tanto me toca e comove. A homenagem, contudo, se faz necessária e o farei transcrevendo dois dos poemas deles que estão entre meus favoritos: “Autopsicografia” e “Mar Português”. Creio que a poética de Pessoa lhe faz mais justiça do que qualquer palavra que eu possa produzir.

Autopsicografia 

O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração.


Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Comentários

Anônimo disse…
Realmente Fernando Pessoa é autor de obras que valem à pena serem lembradas. Muito bom posts, excelentes transcissões!
Um abraço!
My´s Thoughts disse…
Discorrer sobre Fernando Pessoa é tarefa árdua e me sinto culpada em transmitir-lhe, quase em tom de zombaria, tal missão.
Contudo, na certeza de que existência do poeta - ainda celebrada em data de sua extinção - merecia menção, não poderia me furtar de solicitar tal homenagem a tão querido amigo, justamente por sentir que a estima pelo autor português nos era comum, cada um a seu jeito.
Assim, só tenho a agradecer por ter atendido o meu clamor, e contribuir para que poesias como estas apresentadas (e tantas e tantas outras) não passem despercebidas em meio aos dias corridos, a modernidade que nos suga, e a indiferença que ora se torna constante.
Por fim, tornando me(mais)suspeita, contribuo (data maxima vênia) com um pouco mais de Pessoa, cuja paixão eu não consigo explicar:

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive"

Ricardo Reis.

Beijos

Milena
Jeh Pagliai disse…
Com certeza, um dos mais importantes escritores daqui de Portugal!

Tanto, que até hoje se fala mto dele e de suas obras grandiosas...

Beijinhos

---
www.jehjeh.com

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