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Diários de Política: Imigração na Agenda Obama

Diários da Política é coluna* de Márcio Coimbra**

imigrantes

Depois do discurso de Obama, que mais uma vez tocou na questão na imigração, o Congresso passou a mobilizar seus líderes sobre o tema. O assunto é controverso entre os políticos, mas fácil de entender. A América possui um sistema de imigração falho que não premia a meritocracia na obtenção de residência ou cidadania. Portanto, não há incentivo para pessoas qualificadas, que acabam indo para o Canadá ou até mesmo Austrália, onde o sistema imigratório é montado de forma mais racional.

Se de um lado da moeda os imigrantes qualificados não tem incentivo para ficar, do outro os imigrantes ilegais não possuem um caminho claro para se legalizar. O projeto que surgiu em discussão no Senado trata dos qualificados, com um acesso especial para residência daqueles que estudam nos Estados Unidos disciplinas ligadas a engenharia, matemática e tecnologia da informação. Ou seja, aqueles que estudam a área de humanas não serão bem vindos para ficar, pois geram benefícios no médio e longo prazo, enquanto profissões com resultados e demanda mais imediata tem prioridade.

A questão dos imigrantes ilegais é um ponto de divergência hoje na agenda. A maioria dos democratas deseja que exista um caminho para a cidadania dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais hoje nos Estados Unidos. Já os republicanos falam em legalização deste contingente, mas sem acesso, pelo menos neste primeiro momento, a cidadania. A motivação é clara, uma vez que cidadãos votam. Depois de tomar seguidas surras eleitorais nos territórios com maior percentual de imigrantes, os republicanos não querem correr o risco de mudar o mapa eleitoral dos Estados Unidos e perder o controle de um número ainda maior de estados. Colorado e Novo México, que já votaram com Bush na última década, em 2012 foram para a esfera de Obama.

Na verdade não existe uma vontade política de legalizar os imigrantes ilegais se não for uma motivação eleitoral. Os ilegais recolhem impostos na fonte (geralmente são contratados com número de social security em duplicidade), gastam dinheiro nos Estados Unidos - o que faz com que o paguem impostos sobre consumo, não recebem benefícios sociais, tampouco restituição de impostos e ainda podem ser deportados se violarem a lei. É uma mão-de-obra que somente gera benefícios. Muitos políticos, se não forem recolher seus votos, se perguntam qual o benefício de legalizá-los.

Na esfera política, a conta é feita desta maneira. A América, que já foi um país de imigrantes, tem um desafio pela frente. Uma pequena reforma imigratória está sendo gestada, mas a discordância sobre o caminho a seguir com os ilegais pode jogar fora o esforço feito até agora. Ontem ouvi de pessoas no Congresso que qualquer mudança neste sentido tem apenas 40% de chance de ocorrer. Pessoalmente acredito que as chances são muito menores.

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*Márcio Coimbra é correspondente Coisas Internacionais, em Washington, D.C.

**A Coluna Diários de Política circula normalmente aos domingos.

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