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Diários de Política: A vantagem democrata

Diários da Política é coluna* de Márcio Coimbra**

democratic-party Os políticos andam em descrédito aqui em Washington. Do lado democrata, o desgaste é concentrado no Presidente, mas do lado republicano, todo o partido é afetado pelos números ruins. Os dois lados podem gerar resultados inesperados nas eleições para o Congresso este ano, com pequena margem favorável para os democratas.

O partido de Obama pode encontrar um caminho mais favorável nas urnas especialmente porque a imagem mais afetada no momento é a do Presidente. Apesar de a administração da Casa Branca sofrer com desgastes sucessivos, isto não se transfere diretamente para o partido. Os democratas praticamente já tem candidato para 2016, ou melhor candidata. Hillary Clinton é o nome que se impõe e deve vencer as prévias de forma avassaladora. As eleições deste ano, portanto, serão um terreno onde valerá mais o apoio dos Clinton do que de Obama.

Do lado republicano, o problema é mais sério. Existe uma falta de liderança dentro do partido. O Presidente da Câmara, John Boehner, não é unanimidade entre seus pares. Eric Cantor, líder da maioria, surge como um nome para substituí-lo. Cantor é mais hábil, mas também mais conservador. Identificado com o Tea Party, pode trazer problemas na relação com os democratas e a Casa Branca nos últimos dois anos de mandato de Obama.

A polarização exacerbada é aquilo que fere os partidos hoje, mas é algo latente nos republicanos, que sofrem com a pressão do Tea Party e a divisão interna entre estes, o movimento libertário e os moderados. Sem uma liderança que una o partido será difícil reverter este desgaste. Esta liderança pode surgir apenas nas primárias presidenciais, mas até lá será eleito um novo Congresso.

Ao fim e ao cabo, apesar do desgaste de Obama, os democratas aparecem melhor porque o Presidente carrega a impopularidade, preservando seu partido, que pouco a pouco começa a ser liderado novamente pelos Clinton. Do lado republicano ainda não surgiu um Clinton, alguém que una o partido e forneça rumo ao GOP. Considerando isso, existe uma chance maior dos democratas tomarem a Câmara ou diminuir a diferença para os republicanos, do que o GOP inverter a maioria no Senado.

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*Márcio Coimbra é correspondente Coisas Internacionais, em Washington, D.C.

**A Coluna Diários de Política circula normalmente aos domingos.

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