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Diários de Política: O líder vacilante

Diários da Política é coluna* de Márcio Coimbra**

gates-obama-clinton Robert Gates é muito respeitado aqui em Washington. Ocupou a cadeira mais importante do Pentágono em duas administrações: Bush e Obama. Na verdade, dois governos que em tese seriam antagônicos e por fim possuem muitas semelhanças, tiveram no Secretário de Defesa uma linha de continuidade. Gates já deixou a administração Obama e traz em seu novo livro revelações interessantes sobre o processo decisório dentro da Casa Branca.

Obama perdeu a confiança em seu próprio plano para o Afeganistão, revela Gates. O Presidente não possuía a confiança no General Petraus, em Hamid Karzai e no seu próprio plano. O Secretário de Defesa mostra o democrata como um líder vacilante, que toma decisões sozinho e contraria muitos de seus assessores. A dificuldade de Obama lidar com o círculo de assessores é conhecido, mas duvidar das próprias decisões é uma novidade.

Gates mostra sua discordância com Joe Biden, o vice de Obama "em praticamente todos os assuntos envolvendo política externa nos últimos 40 anos". Percebemos que Gates se dobrou a política de Obama ou Biden não possui a menor relevância no desenho das políticas externas da Casa Branca atual. O mais provável é Biden ter ficado de lado, uma vez que as políticas de Obama e Bush se relacionam muito na área de defesa. Em muitos pontos Obama aprofundou políticas iniciadas na Era Bush, como as criticadas medidas de monitoramento de informações.

Por fim, Hillary Clinton é elogiada por Gates, que revela também bastidores de conversas entre a Secretária e Obama, especialmente sobre sua posição em relação aos conflitos externos. Entretanto, no geral ele elogia Hillary por sua postura e suas atitudes. Ambos foram aliados em muitos assuntos dentro da administração.

Gates é uma figura emblemática. É muito respeitado e suas opiniões têm peso. Hillary aparece muito bem e isso pode ajudá-la com um eleitorado mais de centro, mostrando suas qualidades decisórias e posição firme em períodos delicados. Obama aparece mal. Um retrato do momento. As pesquisas mostram que 53,6% desaprovam seu trabalho 63% acham que os Estados Unidos vai na direção errada.  O livro de Gates não ajuda Obama, mas não deixa de estar em sintonia com aquilo que pensam os americanos.

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*Márcio Coimbra é correspondente Coisas Internacionais, em Washington, D.C.

**A Coluna Diários de Política circula normalmente aos domingos.

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