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Diários de Política: Vox Populi, população americana não quer a guerra

Diários da Política é coluna* de Márcio Coimbra**

obamacabeça

Obama partiu para Suécia, onde está agora, e depois para Rússia, onde haverá uma reunião do G20. Em Washington ficaram os assessores e líderes do seu partido envolvidos nas conversas que visam aprovar a intervenção na Síria. O timing da viagem foi péssimo para o Presidente, que precisaria estar por aqui para conduzir as negociações.

Mas como escrevi ontem, o segredo do jogo está nos deputados que flertam com a reeleição no próximo ano e para isso, a tendência da opinião pública pode balizar mais seu voto do que a lealdade ao Presidente. Fazendo um paralelo, a derrota de Cameron na Câmara dos Comuns na última semana teve muito mais conexão com a tendência do eleitor britânico do que com as verdadeiras convicções dos conservadores que traíram o gabinete.

E nos Estados Unidos as notícias não são boas para Obama. Pouco a pouco as pesquisas mostram uma clara inclinação contrária ao pedido de intervenção. A NBC trouxe números que mostravam a situação empatada, com 50% para cada lado. Hoje, a pesquisa Washington Post/ABC trouxe números que começam a preocupar Obama. 59% dos americanos se opõe ao envolvimento de seu país neste conflito.  Entre os independentes, aqueles que verdadeiramente desequilibram uma eleição, a situação é ainda mais aguda: 66% são contra e apenas 30% aprovam.

A intervenção proposta por Obama perde também entre democaratas e republicanos. No partido do Presidente, 54% desaprovam. Entre os republicanos este número sobre para 55%. Logo, entre os democratas, a aprovação de uma ação militar tem o suporte de 42% e entre os partidários do GOP (Grand Old Party, como são chamados os republicanos por aqui), 43%. No cômputo geral, apenas 36% dos americanos aprovam a idéia de meter os pés nas Síria.

Estes são números que devem preocupar Obama, pois podem balizar de forma definitiva o posicionamento de muitos parlamentares que hoje se mostram indecisos. Joe Biden, o vice-presidente, que tem décadas de experiência no Congresso, ficou em Washington para tentar uma sintonia fina entre os indecisos. Tarefa árdua e difícil. Depois do Afeganistão e Iraque, o que os americanos mais querem é recuperar a economia. Uma outra guerra está fora de questão.

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*Márcio Coimbra é correspondente Coisas Internacionais, em Washington, D.C.

**A Coluna Diários de Política circula normalmente aos domingos.

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