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Uma opinião contrarianista sobre a integração regional na América do Sul

Iconoclasta por natureza e usuário refinado da ironia, o diplomata, autor – dos mais profícuos – e professor Paulo Roberto de Almeida a despeito de sua profissão opina com independência e nesse texto curto, que obviamente não tem o esmero analítico dos livros do professor, mas que nos trás elementos provocativos. Esse pequeno texto que transcrevo abaixo é um comentário feito a reportagem ‘Da Rede Brasil Atual’ publicada em 20/07/2017, intitulada: “Para Amorim, oposição brasileira à Alca mudou agenda da América do Sul”

Amorim: oposição brasileira à Alca mudou agenda da América do Sul

Mudou, sim, claro que mudou. Imediatamente após a implosão da Alca pelos companheiros -- with a little help from their friends, Chávez and Nestor -- os países interessados fecharam negociações bilaterais ou plurilaterais com os Estados Unidos e grande parte deles assinou acordos de livre comércio.

Com isso mudou completamente a tal de "geografia comercial" da América do Sul: os países interessados em livre comércio, em integração à economia mundial, seguiram em frente, assinaram acordos com os EUA, com a UE, com parceiros asiáticos e aumentam seu acesso a mercados desenvolvidos e seu volume de exportação mundial.

Os países que preferiram ficar protegendo o mercado interno contemplam mercados diminuídos, concorrência "desleal" de parceiros asiáticos (logo eles, que deveriam ser aliados na luta contra os hegemônicos) e possuem hoje uma margem de manobra muito mais reduzida em termos de política comercial e de acesso a mercados, provavelmente caminhando para a marginalização e o velho protecionismo de décadas passadas.

Essa é a mudança da agenda na América do Sul que ocorreu.

Atualmente, a agenda está assim: de um lado o Mercosul, desejando se expandir de qualquer maneira, sem qualquer critério de política comercial coerente com os propósitos do Tratado de Assunção; de outro os bolivarianos, que acham que vão fazer a Alba, o Sucre e outras maravilhas da integração protegida, mercantilista, estatizante; e por fim os países da Aliança do Pacífico, que avançam no comercio livre entre si (mas isto é o menos relevante no esquema) e se preparam para integrar os esquemas comerciais, de investimentos e de cooperação econômica da grande bacia do Pacífico.

Esta é a nova agenda, esta é a nova geografia do comércio internacional.

O Brasil deve agradecer aos companheiros que pelo menos se preocupam em proteger o emprego interno. Por enquanto...

Paulo Roberto de Almeida

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