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Ler, Refletir e Pensar – Morgenthau sobre a diplomacia

Essa semana trago um trecho de um dos mais influentes livros da disciplina relações internacionais “A política entre as nações: A luta pelo poder e pela paz” de Hans J. Morgenthau. Essa obra é uma das mais importantes do primeiro momento do realismo em relações internacionais. Esse importante livro está disponível para download gratuito no site da FUNAG. Ainda que por sua extensão eu recomende a leitura em papel.  

O trecho da obra que transcrevo agora se concentra na discussão sobre o papel da diplomacia na consecução da paz. Muitos não associam a questão da paz com o realismo, contudo um dos pontos de Morgenthau é justamente a questão do alcance da paz possível dado a natureza do Estado e do sistema internacional. Ou seja, não é uma paz transcendente, mas uma paz bem ciente do papel que a busca pelo poder exerce nos estados. Sou particularmente caudatário da singela definição de diplomacia e seu papel feita cruamente pelo autor.

Bom, antes que nos adentremos numa seara de análise teórica passo ao trecho selecionado para hoje. É bom que fique claro que não transcreverei todo o capítulo XXXI, apenas um trecho.

Quatro tarefas para a diplomacia

Já tivemos a ocasião de enfatizar a importância primordial da diplomacia como um dos elementos do poder nacional. A importância da diplomacia para a preservação da paz internacional nada mais é do que um aspecto particular dessa função mais geral porque uma diplomacia que termine em guerra terá falhado no seu objetivo mais primário, que é a promoção do interesse nacional por meios pacíficos. Esse fato, que sempre foi verdade em qualquer época, torna-se mais patente agora, em vista das potencialidades destruidoras de uma guerra total. Tomada em seu sentido mais amplo, que abarca todo o escopo da política externa, pode-se dizer que a função da diplomacia se apresente por meio de quatro facetas: (1) a diplomacia precisa determinar os seus objetivos à luz do poder disponível, tanto de fato como em potencial, para consecução desses objetivos; (2) a diplomacia tem que ser capaz de avaliar os objetivos das outras nações e o poder disponível, tanto de fato como em potencial, para a consecução desses objetivos; (3) a diplomacia precisa determinar até que ponto esses objetivos são compatíveis entre si; (4) a diplomacia tem de empregar os meios apropriados para a concretização de seus objetivos. O não cumprimento de qualquer dessas tarefas pode prejudicar o êxito da política externa e, com ela, a paz do mundo.
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MORGENTHAU, Hans J. A política entre as nações: A luta pelo poder e pela paz. Ed.UnB, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, IPRI. Brasília, 2003. pp. 967-968.

Adicionalmente gostaria de recomendar a meus leitores, principalmente aos que buscam mecanismos e meios para avaliar uma política externa que leiam todo esse capítulo que apresenta esquemas analíticos válidos e interessantes. Leiam o capítulo XXXI e XXXII.

Faço essa recomendação por que muitos do rationale apresentado ajudará a entender as críticas que são feitas para a política externa brasileira, para me limitar um tema que gera animosidades e atrai aqui muitos ferrenhos e por vezes pouco reflexivos entusiastas dos rumos atuais.

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