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Assembléia Geral da ONU, Colômbia e Manifesto em defesa da democracia. Ou algumas notas curtas

O dia está atribulado o que dificulta reservar espaço para escrever um texto verdadeiramente informativo. Mas, alguns pontos merecem um registro e comentário ainda que embrionário (na esperança que sejam mais elaborados em breve).

AGNU: Hoje teve inicio a 65ª Sessão Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas – AGNU, conforme a tradição iniciada, em 1946, o Brasil foi o primeiro a ter voz. Com discurso proferido pelo ministro das relações exteriores, Celso Amorim. (Para íntegra ver o vídeo abaixo).

Chamou a atenção nesse primeiro dia de discursos vazios e políticos a ausência da delegação de Israel, que não esteve presente nem mesmo para ouvir o discurso do Presidente dos EUA Barack Obama que versou em sua maior parte dos assuntos do Oriente Médio e da Ásia Central.

Chegou-se a pensar (eu inclusive) que a ausência de Israel era destinada a intervenção do representante brasileiro, causou surpresa a não estarem presentes para ouvir seu tradicional e mais poderoso aliado, contudo a versão oficial é de que a AGNU coincidiu com o feriado judaico do Sucot. Como tenho a natureza cética quanto a versões oficiais a ausência pode ser decorrida da pressão dos EUA, por conta do fim próximo da moratória a construção de assentamentos.

O tempo e as melhores informações podem esclarecer esta questão. Não creio que as intervenções brasileiras na região, ainda que enviesadas e discutíveis tenham peso suficiente para suscitar um protesto tão ostensivo.


Colômbia: Com a frase: “Caiu o símbolo do terror” O Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos comentou a morte do líder militar máximo das FARC e membro de seu secretariado (órgão colegiado que comanda a guerrilha), o guerrilheiro Víctor Julio Suárez Rojas que também usava as alcunhas Jorge Briceño ou Mono Jojoy.

A operação demonstra que Santos mantém o firme compromisso com a derrota militar do grupo narco-terrorista e obtém uma vitória que não é só de seu país e povo, mas de todos que abominam o uso da violência para derrubar um regime democrático, constitucionalmente constituído. Raramente a morte de um ser humano é algo jubiloso, contudo nesse caso a morte em combate desse perigoso criminoso é uma vitória para toda humanidade.

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA: Transcrevi aqui o documento do Manifesto (aqui) agora aproveito para deixar o link em que podemos subscrever o manifesto. Assine aqui o manifesto em defesa da democracia.

Alguns leitores me escreveram para tratar que a própria redação da Constituição Federal é causa de muitos problemas como me foi escrito numa rede social (daí sua redação em internetês) e coloco como exemplo:

“[...] entao... a nossa CF não serve pro país. o problema é a CF! Ela é de fato uma piada de mto mal gosto. Serve mais aos criminosos [...]”

É um ponto de vista legítimo e pertinente, contudo vejo a questão do seguinte modo:

A Constituição tem em si as regras para sua modificação, por meio das emendas constitucionais. O que não se pode é acolher o acinte as regras por descrença nos agentes. Em outras palavras, não é por que a classe política é corrupta que se vai aquiescer com sua criminalidade, ou se brincar com a liberdade que nos permite no mínimo reclamar e denunciar essa situação. Vale lembrar que muitos regimes totalitários usaram a bandeira da legalidade e da mudança ‘extra-institucional’ para se firmarem e corroerem a liberdade.

Mas, reconheço o direito de cada um de ter seu próprio juízo, assim reitero quem concordar com os termos do manifesto, assine-o aqui.

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