Pular para o conteúdo principal

Reviravoltas políticas, eleições pelo mundo e bola nas costas. Ou algumas notas

Quem tem acesso aos canais de noticias estrangeiros ontem percebeu a grande comoção que tomou conta dessas redes com transmissão ao vivo de Camberra e tudo o mais. Falo claro da troca de comando no governo da Austrália que passa a ter uma mulher ocupando o cargo de Primeiro-Ministro, algo inédito até então na terra dos cangurus. A CNN classificou como revolta política o processo que levou a derrocada de Kevin Rudd, que foi praticamente forçado a não concorrer pela liderança de seu partido, o governo passou para sua antiga aliada e ministra Julia Gillard.

Claro que outro grande assunto foi a verdadeira bola nas costas que levou o Presidente Obama que foi alvo de ataques veementes do agora Ex-Comandante das Forças Multinacionais da OTAN no Afeganistão, o General Stanley McChrystal runaway general, que foi defendido pelo governo afegão que o considera o melhor comandante da OTAN desde que essa guerra começou. Seu substituto será o conhecido General David Petraeus, que goza de um bom reconhecimento entre os soldados, sendo considerado um “general/diplomata”.

Confesso que ainda não li a matéria, portanto não tecerei maiores análises, ao que parece no sentido estratégico não ocorrerão alterações nos rumos adotados. O caso pode em algum tempo num futuro próximo ser usado contra o Presidente, embora os republicanos, ao contrário de que alguns pensavam foram quase uníssonos na condenação as declarações do General.

Na Polônia o candidato surpresa Jaroslaw Kaczynski conseguiu levar o pleito para o segundo turno, apesar de ser uma eleição complexa em clima de luto. Os dados sobre eleições aqui postas podem ser encontradas em uma análise mais refinada e embasada no blog – Diários de Política – escrito pelo cientista político Márcio Coimbra, que é consultor da Macropolítica, Editor-Executivo do site – Parlata – além de ser um querido amigo e ex-professor. Recomendo a leitura de seu blog e de seus twitters

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A apuração eleitoral e o observador das Relações Internacionai

O Colégio Eleitoral americano e a apuração dos votos, nos parecem muito complicadas e pensamos: no Brasil é bem melhor. Nós olhamos o mundo pelas lentes de nossa cultura e isso afeta o julgamento que fazemos de diversas situações e realidades internacionais. Muitos conflitos em negócios internacionais têm nesse fato sua origem.   A natureza federalista, com ênfase, estadual dos EUA é muito diferente do nosso federalismo e há complexas raízes históricas para isso. Boa parte do debate constitucional original daquele país gira em torno dos Direitos dos Estados. Nosso sistema tem um caráter centralizado, que ignora as nuances regionais em troca de processos uniformizados. A informatização do voto trouxe de fato, muita celeridade ao processo, mas a adoção desse regime não foi feita com um amplo debate nacional e são comuns as desconfianças sobre a integridade desse modo de fazer eleições. Muitas opiniões publicadas sobre o sistema eleitoral de lá e de cá são apenas as lentes da fa...

Transformação pela Criatividade

Como gerar empregos que não abandonam as cidades? Como recuperar áreas urbanas abandonadas? Essas são perguntas que assombram todas as cidades. A globalização diminuiu as barreiras a circulação do capital e empresas no mundo. Os primeiros a sentirem o impacto dessa nova realidade foram as cidades no coração do capitalismo mundial, cidades dos EUA e Europa. A saída de grandes empresas deixou um saldo de milhares de empregos perdidos e a cicatriz física de ter regiões inteiras marcadas por prédios abandonados. O governo de Londres foi o primeiro governo a perceber um movimento interessante. Artistas, designers e startups de novas tecnologias começavam a ocupar esses espaços abandonados, e mais notável ainda, começavam a gerar empregos, a atrair turistas e investimentos. A criatividade estava transformando a cidade e se alimentava da atmosfera urbana e, mais importante, só existia por estar ali. Essa é a Economia Criativa, onde a junção da cultura única de cada cidade e a criatividade...

Lição Chinesa

O governo chinês é importante parceiro comercial no continente africano. Comprando, basicamente, commodities e ofertando bens e serviços, além de empréstimos para projetos de desenvolvimento. Esse arranjo gera para o lado chinês maior influência global e abertura de novos mercados. Pelo lado africano oferece acesso a bens, serviços e empregos.  Trocar commodities por bens de maior valor agregado causa deterioração dos termos de troca, isto é, a diferença entre o valor que exportado e o valor do que é importado. O que naturalmente gera endividamento. Diante desse cenário, o governo chinês usa sua demanda interna e capacidade de importação via acordos comerciais setoriais que aproveitam vantagens comparativas locais dando escala na produção de itens desejados pela China e garantindo mercado para esses produtos.   O que paulatinamente contribui para equilibrar a balança comercial com essas nações africanas ao mesmo tempo que garante abastecimento para a China. Em tempos de ...